quinta-feira, 16 de março de 2023

Tá tudo assim tão diferente

    Sinto dentro de mim a mudança das estações. Tenho a nítida sensação de já se passaram anos desde que senti de fato um verão em minha vida... Me senti preso em um eterno Outono-Inverno de lojas de roupa, um período que alterna entre o frio o quente, mas nada muito expressivo que me faça passar um frio de bater os dentes, muito menos um calor que me dê vontade de ficar nu no meio da calçada. 
    Como toda mudança de estação, minhas roupas mudaram, minha aparência mudou, acho que nem tantas rugas, só o peso da idade mesmo. Sei que tendo a exagerar e escrever em meus textos quase como um senhor senil de tanta experiência, mas é tudo recurso de um adulto em seus 30 anos que viveu muito mais do que o tempo cronológico nesses 12 anos de maioridade. 
    Adquiri maturidade, algo que supostamente é de valor inominável, mas que não pinga um real na minha conta e nem me dá notoriedade real. Ok, passei do limite, mas entenda que isso é o reflexo de alguém que por anos a fio foi chamado de imaturo pelas piadas fora de contexto e o senso de humor bobo e inoportuno. A maturidade veio, não do jeito que eu queria, não do  jeito que eu esperava, mas veio. Queria dizer que foi uma construção de anos, que fui aprendendo como é a vida, mas de fato não foi. 
    O TDAH me criou com cliques, estalos de sabedoria da vida, momentos que eu paro pra pensar e tomo jeito. Poderia muito bem ser às 17h de uma sexta, tomando um café e comendo um pão de queijo em alguma cafeteria cara, mas não foi assim. O clique, o despertar, o chamado do herói por assim dizer, foi numa bebedeira, nao durante até porque eu estava em outra realidade, mas no dia da ressaca. O olhar de uma amiga que me aconselhou, quase um súplico, para que eu percebesse a pessoa especial que eu era e não percebia. A ressaca no dia seguinte veio com aquele peso do "a brincadeira acabou,chefe; acorda pra vida". 
    Não digo que minha vida revolucionou ou que virei o faraó do bitcoin, ou o coach da montanha, mas minha vida não tem sido mais a mesma. Aceitei minha jornada ou melhor, a não-jornada da vida. Sei que vou apanhar muito para lutar pelas coisas que espero alcançar, sei que não vai ser fácil e sei que estou fazendo muita coisa motivado por teimosia, mas é o meu jeitinho irresponsável de viver. 
    Não sei o que vai ser do futuro, mas sei do meu passado e tenho finalmente vivido o presente, tentando ao máximo limitar meus delírios utópicos da juventude. Irônico como depois de anos tentando me sentir melhor, ter gastado dinheiro com terapia, ter mudado de cidade 2 vezes e me convertido ao budismo, nada me trouxe o amor próprio, só o estalo.
    Todos os eventos que me trouxeram ao dia de hoje tiveram sua importância e me moldaram em pequenos gestos, algumas arestas aparadas, algumas imperfeições corrigidas, mas minha real mudança veio sem alarde, só veio. No final os dias continuam os mesmos, o mundo ainda existe como um Pálido Ponto Azul, mas eu não sou mais o mesmo. Continua tudo igual, mas diferente...

sábado, 9 de abril de 2022

Sobre trotes e tradições (mais uma vez)

 Desejei no texto que escrevi anteriormente , vulgo 5 anos atrás, que o trote e suas atividades fossem apenas uma lembrança, um evento, um ritual infame e sem muitos louvores, mas acabou que era só uma esperança e/ou um desabafo de alguém que teve uma experiência traumatizante com o fato.

Hoje o trote configura um rito de passagem "good vibes" com o famoso "é só uma tinta" e vejo que muito disso é o sinal dos novos tempos, um indicador de como as novas gerações pouco se importam com o seu passado, sua história, tenta-se criar uma narrativa do novo, do fazer as coisas diferentes da geração anterior.

Fui assim, não vou ser hipócrita no auge dos meus recem completados 30 anos me sentir o senhor da razão e falar "ah mas quando eu era do Centro Acadêmico as coisas eram diferentes" porque não eram. Soberba, não escutar os que vieram antes de você, achar que pode fazer mais é totalmente saudável e é um terreno fértil pro debate, mas não estamos vivendo isso.

Não se questiona o status quo, questiona-se quem questiona o status quo. O trote não é mais uma questão de sim ou não, tornou-se um "como deixá-lo mais humanizado", uma negação da realidade mais do que vil, chega a ser revoltante de tão alienada. Não consigo manter o discurso de que a culpa é de alguém especifico ou da nova geração que é alienada, a situação envolve complexidades maiores.

Vai desde uma tendência quase hippie de achar que a universidade é um ambiente de paz e amor quando sabemos que não é, passando por uma legião de veteranos com uma sindrome de Peter Pan que se recusam a ir embora das tradições da universidade talvez pelo medo de encarar o mundo real e finalizando com uma geração Z que abraça esse ideal "American Pie" como se os mais velhos fossem caretas de quererem falar sério sobre trote.

No final sinto que o liberalismo venceu no final; as pautas e vontades individuais venceram as pautas coletivas. Liberdade de crença, sexualidade, gênero, raça, tudo isso num ideal de liberdade que parece revolucionário mas acaba mascarando um capitalismo que não é paz e amor, ele é insensível e se importa apenas com o lucro, com verde do dinheiro, a única cor que importa.

Os jogos universitários que te fazem ter orgulho da tua alma mater universitária é o mesmo que lucra milhões todos os anos num evento que virou um festival elitista e nada mais que isso. Dessa maneira, única conclusão que eu consigo chegar é que o conhecimento e a "iluminação" das ideias é uma farsa; só se enxerga a opressão e o lado errado das coisas quando se questiona e fecho com a famosa frase do "Planet Hemp", PERGUNTE A PROCEDÊNCIA.

sexta-feira, 11 de março de 2022

O paradoxo do desabafo

 Sempre fui sensível, sempre fui empático com o sofrimento alheio e não preciso dizer o destino daqueles que são empáticos. 

De maneira educada devo dizer que acabei por me ferrar muito, por priorizar o próximo e não pensar em mim mesmo.

Essa exaustão após tantos anos vem numa contraditória necessidade de ser ouvido, de ser o atendido e não aquele que atende.

E que surpresa quando precisamos ser ouvidos e não somos, ou as pessoas não tem tempo pra você.

Elas não tem obrigação de ter tempo para você e é isso o que mais dói.

Foi VOCÊ que escolheu sacrificar as suas próprias horas, as tuas diversões, as tuas vontades, pela vontade, pelas horas e diversões alheias.

A contradição está neste movimento em si; reclamar sobre algo que você mesmo causou é patético e ninguém tem obrigação, repito, ninguém tem obrigação de ser empático com você.

No final meu texto não vai trazer o consolo que eu esperava, nem a resposta pros meus problemas, mas me acalma.

Cauê, ao mesmo tempo que estou sofrendo saiba que te acolho e as coisas vão melhorar, você sabe.

Continuar se importando com os outros não vai te fazer santo, não vai te trazer riqueza, então faça um favor pra mim: seja mais rude, seja mais grosseiro, imponha limites.

Em três semanas você terá 30 anos, não que mude muita coisa, mas muda. Comece a se inspirar pelo "devir Cauê de 30 anos", mesmo que o "devir Cauê" seja ser milionário antes dos 40, estar casado com o grande amor da sua vida, dirigir o carro dos sonhos, ter uma casa grande cheia de cachorros, um casal de filhos, o setup gamer, o videogame, todas as trivialidades do mundo capitalista. 

INSPIRE-SE nele, mas não se deixe iludir. Ele não é real, ele nunca não vai ser. O Cauê REAL sangra, chora, perde dinheiro com besteira, gasta dinheiro com besteira.

Busque equilíbrio, Cauê! Seja feliz sabendo seu limite, mas nunca pare de caminhar, mas acima de tudo, busque terapia. 

Seu TDAH não está controlado o suficiente pra você achar que é engraçadinho ou só um meme. 

Espero seriamente que em um próximo texto você tenha a decência de ter ao menos pesquisado sobre.

Cauê, eu te amo, é que às vezes eu esqueço, eu sei que eu deveria te amar mais, me desculpa...

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Mudanças

 Sempre achei chato fazer mudanças, parte porque sou péssimo em me organizar e parte porque não tenho pique para arrumar as coisas tintim por tintim.

Sempre fui péssimo em me organizar, parte porque não tenho pique para arrumar coisas tintim por tintim e parte porque sempre achei chato fazer mudanças.

Nunca tive pique para arrumar as coisas tintim por tintim, parte porque sempre achei chato fazer mudanças e parte porque sou péssimo em me organizar.

E é nesse ciclo de autossabotagem, pessimismo e conformismo que vou vivendo que aprendi a maior lição: mudanças sempre ocorrerão, sejam elas de natureza intencional ou ao acaso, SEMPRE haverá mudança.

Seja uma mudança boa ou ruim, de casa ou de relacionamento, modo de pensar, estamos sempre em constante mudança.

Recusar-se a aceitar mudanças só acarreta em adoecimento, essa busca por um "tempo bom que não volta nunca mais" quase infantil.

Hoje é meu terceiro dia em uma nova casa e sinto que o mesmo Cauê não cabe nessa nova morada.

Não me sinto acolhido em mim mesmo, necessito da mudança mesmo não escolhendo ela.

Hoje entendo que sempre quis mudar, sempre quis um mundo melhor na minha visão, numa pegada The Sims, como se as coisas se desenrolassem porque e como eu quero e me frustrei quando a vida me ensinou que não é assim que a banda toca.

As mudanças que eu não pedi foram as que mais me moldaram, mais me motivaram a continuar.

Demorei pra perceber que nem tudo é paz e amor, nem tudo são flores, nem tudo é um conto de fadas, nem tudo é uma história infantil.

Não vivo o pessimismo, não vivo o otimismo, não vivo o realismo, eu só vivo, sem saber qual Cauê do meu Fragmentado vai assumir hoje.

Estou cansado, sem dormir direito, comendo pouco, me sentindo solitário, frustrado em diversos pontos da minha vida e sei que tenho que mudar e que vou mudar, mas é aquilo, sempre achei chato fazer mudanças.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Carta para o Amor

 Oi, sou eu de novo. 

Sinto te informar, mas acho que me tornei um agnóstico do Amor;

Perdi a fé no romantismo, mas não o suficiente pra dizer que não acredito mais; 

Não me sinto amargurado o suficiente pra dizer que o amor é um construto social;

Antes da pandemia eu conseguia falar "eu te amo" de maneira tranquila sem pensar muito no tema;

Hoje me questiono uma, duas, três vezes: "é amor mesmo ou só carência? é amor ou uma expectativa de que seja? te amo ou amo a sensação de estar apaixonado?"

Nessa incansável batalha de "crença versus descrença" que nasce a poesia;

Um poema sem rimas, até porque não há combinações em conceitos antitéticos;

Mas ao mesmo tempo eu ignorar a beleza do rimar seria até antiético;

Escrevo para você porque se você não for real e eu iludido, eu que lute;

Se você for real e eles descrentes, eles que lidem;

Amor, me fala por favor, é delírio o que sinto? 

Você voltou a orbitar a minha vida ou sou eu que acredito no "deus das causas impossíveis"?

Hoje penso se o sentimento por ela sempre esteve aqui, se veio a vir pelas circunstâncias;

Se der certo eu volto a escrever poemas felizes, isso se eu vier a falar para ela que sinto;

Se não der certo, volto com poemas tristes e se ela não souber vai ser como diria Lulu: "caberá só a mim esquecer.."



sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Chove lá fora...

Campinas, 17 de dezembro de 2021.
Há dias tem chovido e parado, chovido e parado, um eterno loop de abafado e úmido. A sensação de abafado parecendo um banheiro cheio de vapor é incrivelmente irritante. Poderia facilmente dizer que descreve minha vida, mas seria muito mas muito desonesto da minha parte. Não vivo um marasmo, um clima morno nos últimos tempos. A cada dia nesse emprego eu experimento sensações diferentes de raiva, compaixão, cansaço. Não possuo mais o encanto do recém contratado, que normaliza o trabalhar demais como sendo algo mágico e uma oportunidade que está sendo me dada. Posso dizer que também não caio totalmente na paranoia do militante de esquerda que olha todo e qualquer trabalho como exploração. 
Escolho uma visão de mundo plural, onde consigo ver uma oportunidade de trabalho e consigo ver que ganho menos do que deveria e trabalho mais do que a minha sanidade gostaria. 
Nem calor, nem frio, nem chuva o tempo todo, nem Sol o tempo todo, esse clima esquisito, mas uma hora vai passar, vai passar...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Desculpa, mas hoje eu não posso...

Campinas, 13 de dezembro de 2021.
Está decretado o seguinte: um dia eu surto.
Hoje eu não posso, pois não bateu nem uma hora da tarde e eu só termino meu turno às 10 da noite.
Não posso passar o dia passivo-agressivo e sendo babaca com quem não me tratou mal. Acho insensato e indelicado continuar esse ciclo de grosseria terrível.
É como uma epi... deixa quieto que esse assunto dá gatilho, mas é algo que se espalha, que inunda e eu prefiro ser a barragem, mesmo que ela estoure dentro de mim, do que ser o córrego que arrasta tudo e todos.
Não posso surtar amanhã, pois é minha folga, é o meu tão esperado momento de descanso 
Não vou surtar essa semana pois é no fim de semana que o restaurante tem mais movimento.
Além do mais eu cubro o domingo de folga do outro caixa.
Segunda que vem recebo o vale e a segunda parcela do 13°, também não posso.
Semana que vem é a semana do Natal, não é um bom tempo pra surtar.
Daqui duas semanas e pouco já é Ano Novo e pela crença popular o que se faz na virada repercute no ano seguinte todo.
Talvez eu surte em 2022, talvez eu não surte.
Preciso olhar minha rotina primeiro...