domingo, 6 de abril de 2014

A negação estúpida do senso comum

Em pleno 2014, minha querida universidade, se me perguntam a saudosa Unesp Rio Claro, decide tomar uma minuta como resolução que determina que todas as bolsas de caráter sócio econômico tenham o critério de nota e presença. Se fosse em qualquer país eu nem sequer começaria esse texto, mas estamos falando de Brasil, do estado de São Paulo mais exatamente, onde o pobre tem que batalhar muito mais pra ter menos do que uma pessoa de classe média ganhou sem esforço. 

Fico perplexo ao ver os comentários absurdos em relação ao assunto, e vejo que o discurso que tantos filhos reclamaram dos seus pais, o famoso "Tá reclamando do quê? Não trabalha, só estuda". É surpreendente o quanto a nossa sociedade ainda reproduz os pensamentos das pessoas mais velhas como se fosse "sabedoria". Quando se chega a universidade e se depara com o nível de exigência dos professores é algo de se chocar, ao ponto de se tornar caricato o quanto você sofre estudando. Tirar boas notas é algo essencial na universidade mas quando o aluno não consegue notas boas não podemos ser tão simplistas. Até que ponto ele não tirar notas boas indica preguiça ou falta de dedicação?  

Pensamentos simplistas tornam o ser humano cruel. As pessoas preferem lidar com a exclusão do que com a inclusão. É mais fácil ver o mundo como observador e não como o observado, ser juiz e não réu. Pessoas ao saberem  do fato de que 36 pessoas estão dormindo no chão pois não há espaço na moradia estudantil ao invés de se revoltarem o que muitas delas fazem? Deslegitimam isso, começam a questionar assuntos banais do tipo "Não é assim também vai? Mas todos que estão lá precisam mesmo? " As pessoas estão lá porque curtem mesmo viver num lugar com mofo, com pessoas que você não escolheu morar e que não tem dinheiro pra mudar, curtem dormir no chão, curtem morar em 12 numa casa que comporta 8 pessoas, curtem dividir o banheiro com 5 pessoas todos os dias, é tudo porque elas querem não é por necessidade. 

Estou cercado de pessoas que preferem concluir que mais da metade da sala reprova porque a matéria é difícil, não porque o professor usa um método que faz com os alunos não aprendam, que acha que Greve Estudantil é de quem não quer estudar. Não acho que todos devem pensar como o Movimento Estudantil pensa, mas em momentos como os que vivemos agora, com cortes de verba sem explicação, decisões sem explicação não há palco para discussão capitalismo versus comunismo, deveríamos nos unir como estudantes.

Falei tanto até agora e não expliquei o porquê do título do texto. Uma resolução da reitoria exige nota e presença dos alunos de modo totalmente frio, sem analisar o índice de reprovas, a defasagem do aluno vindo de escola pública, entre outros fatores, que só poderiam ser analisados se vistos de perto, mas não ocorre. Para todos aqueles que não se importam com o ocorrido e acham que estes vagabundos devem parar de causar tanto problema e irem estudar: ser egoísta é direito seu assim como não te respeitar por isso é direito meu.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

I have a dream...

Tenho medo do crescimento dos comunistas no Brasil. Se continuar assim, nossa querida América do Sul será tomada pelo exército vermelho e viveremos uma União Socialista Sul-Americana. O Caos toma às ruas, vândalos em toda a parte, veículos midiáticos tentando difamar nossa gloriosa Polícia Militar. Isso não pode ocorrer em solo brasileiro, é preciso acabar com essa "Onda Vermelha", por isso que nós, cidadãos de bem devemos tomar uma providência para acabar com os comunas. Estamos em 2014 e ainda vejo comentários como esses percorrendo as redes sociais. Sei que as ditaduras comunistas lesaram muito a sua população, mas é inegável dizer que as ditaduras de direita fizeram o mesmo. Esse horror ao vermelho demonstra uma opinião bem alarmante da direita brasileira, a "repressão justificada". Revoltar-se com a sociedade capitalista se tornou algo parecido com a Santa Inquisição. Você não é mais um cidadão de bem se acha que todos deveriam ter as mesmas oportunidades. Você é taxado de preconceituoso por tratar um negro, um gay ou até mesmo uma mulher de forma diferente. "Todos são iguais perante a lei. Você tratando ele diferente faz com que ele seja considerado coitado. Ninguém é coitadinho". Os conservadores querem calar a voz das minorias como esse argumento que eu me permito corrigir. "Todos os homens brancos heterossexuais são iguais perante a lei. Todos aqueles que não o são devem ser tratados como a escória que eles são". Esse discurso de natureza abominável perpetua na boca de pessoas como Jair Bolsonaro, que em entrevista recente disse que estava lá para defender o desejo da maioria, não a minoria. Em suma, quando se é marginalizado e se mantém assim está tudo certo, mas a partir do momento em que este marginal quer se expressar ele está afrontando, ele quer instalar uma ditadura "gayzista", "feminazi" ou o que for. Feministas, defensores do direitos humanos, Black Blocs e etc. não são males da sociedade, são consequências. Fazendo uma comparação com um cachorro que apanha todo santo dia. Este certamente terá medo de seu dono, mas em um momento em que seu dono estiver se gabando, achando que domina, o cachorro avança e morde, arrancando pele e sangue do dono. Esses movimentos se tornaram extremistas em certas circunstâncias devido a bons anos de abuso por parte da maioria da sociedade. Revoltar-se com o extremismo é aceitável mas chocar-se com o fato chega a ser de uma ingenuidade cruel. Neste texto não estou "evangelizando" ninguém,e a todos aqueles que se acharem no direito de questionar a Declaração Universal dos Direitos Humanos com base em pensamentos rasos e escrotos, peço encarecidamente que vão dormir.