Oi, peço desculpas pelos meus modos, mas é que não sei como me endereçar a você. Primeiro que nunca fomos amigos, segundo que mesmo que fôssemos você não iria ler essa carta, pois completaram-se 10 anos da tua partida do mundo terreno. Salva a vez que eu te vi tomando um chopp ali na Independência, pleno coração do Gonzaga quando eu tinha meus 12,13 anos, eu não te conheci pessoalmente. Daquele fatídico 2013, sua partida foi o de menos, afinal como todo bom revoltado, eu era contra a imensa maioria que curtia o seu som, afinal "não é porque eu sou santista que eu tenho que gostar de Charlie Brown". Não preciso nem dizer que me arrependo fortemente dessa teimosia.
Todos que me conhecem sabem que o Cauê após 2013 curte seu som que nem parece que um dia teve ranço, mas enfim. Dispersei nos pensamentos, fato comum quando estou me endereçando a pessoas que tenho grande admiração. Venho através dessa carta te agradecer por todo o suporte emocional e psicológico que suas letras me deram ao longo dos anos. Suas palavras de amor de um romântico quase pirado, que se emociona, que chora, que demonstra que sangra, algo que me lembra muito Tim Maia se compararmos a intensidade emocional e musical.
Me apaixonei por mulheres ouvindo seu som, valorizei amizades verdadeiras, me diverti com as músicas irreverentes, me agitei com as batidas mais envolventes, mas sinto que nada nada nada se compara às letras que elevam o espírito. Todos os sons de superação, sejam financeiros ou psicológicos, foram ao longo dos anos moldando a trilha-sonora do meu dia à dia. O que começou com as mais 'batidas' como "Não Deixe o Mar te Engolir" ou "Resolve Meu Problema Aí" evoluiu para os sons mais 'lado B', aquelas faixas que nunca tocaram na rádio, mas que trazem uma carga sentimental de um poeta que vivia a dor e a alegria daquilo que escrevia.
Alexandre, Alê, Chóris, Chorão, não consigo encontrar o jeito correto de me referir a sua pessoa, mas acho que entre muitas coisas posso te chamar de amigo. Seu eu-lírico conversa comigo nas minhas maiores 'bads' e me dão a certeza que você veio a esse mundo pra passar a mensagem, cumpriu teu propósito de ser a voz que acalma os corações em crise. Não vejo tua trajetória como algo mágico, não romantizo tua depressão e teus problemas com as drogas, nem ouço tuas canções de amor achando que vou encontrar a minha Grazi, a 'Dona do meu pensamento'. Seus sons e suas letras são o combustível que aquece p coração desse caiçara quando a tristeza de estar longe da nossa terra bate.
No final, depois de 10 anos seu som ainda toca nas rádios, e 'O Preço' quem paga é a gente por não te ver sorrir mais. Nessa sexta-feira fria eu escrevi essa carta pra você pois te ouço todos os dias e acho justo agradecer pelos bons conselhos. Mesmo que esses últimos tempos eu tenha sentido meu futuro como um labirinto por não saber o que eu quero, não desistirei. Não vou desanimar pois sei que "a vida é louca, o mundo é foda, mas nós tamo aí na luta" e com certeza eu não vou baixar a cabeça pra nenhum filho da puta. Você foi um grande mestre, um dia a gente se vê!!!