sábado, 26 de fevereiro de 2022

Mudanças

 Sempre achei chato fazer mudanças, parte porque sou péssimo em me organizar e parte porque não tenho pique para arrumar as coisas tintim por tintim.

Sempre fui péssimo em me organizar, parte porque não tenho pique para arrumar coisas tintim por tintim e parte porque sempre achei chato fazer mudanças.

Nunca tive pique para arrumar as coisas tintim por tintim, parte porque sempre achei chato fazer mudanças e parte porque sou péssimo em me organizar.

E é nesse ciclo de autossabotagem, pessimismo e conformismo que vou vivendo que aprendi a maior lição: mudanças sempre ocorrerão, sejam elas de natureza intencional ou ao acaso, SEMPRE haverá mudança.

Seja uma mudança boa ou ruim, de casa ou de relacionamento, modo de pensar, estamos sempre em constante mudança.

Recusar-se a aceitar mudanças só acarreta em adoecimento, essa busca por um "tempo bom que não volta nunca mais" quase infantil.

Hoje é meu terceiro dia em uma nova casa e sinto que o mesmo Cauê não cabe nessa nova morada.

Não me sinto acolhido em mim mesmo, necessito da mudança mesmo não escolhendo ela.

Hoje entendo que sempre quis mudar, sempre quis um mundo melhor na minha visão, numa pegada The Sims, como se as coisas se desenrolassem porque e como eu quero e me frustrei quando a vida me ensinou que não é assim que a banda toca.

As mudanças que eu não pedi foram as que mais me moldaram, mais me motivaram a continuar.

Demorei pra perceber que nem tudo é paz e amor, nem tudo são flores, nem tudo é um conto de fadas, nem tudo é uma história infantil.

Não vivo o pessimismo, não vivo o otimismo, não vivo o realismo, eu só vivo, sem saber qual Cauê do meu Fragmentado vai assumir hoje.

Estou cansado, sem dormir direito, comendo pouco, me sentindo solitário, frustrado em diversos pontos da minha vida e sei que tenho que mudar e que vou mudar, mas é aquilo, sempre achei chato fazer mudanças.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Carta para o Amor

 Oi, sou eu de novo. 

Sinto te informar, mas acho que me tornei um agnóstico do Amor;

Perdi a fé no romantismo, mas não o suficiente pra dizer que não acredito mais; 

Não me sinto amargurado o suficiente pra dizer que o amor é um construto social;

Antes da pandemia eu conseguia falar "eu te amo" de maneira tranquila sem pensar muito no tema;

Hoje me questiono uma, duas, três vezes: "é amor mesmo ou só carência? é amor ou uma expectativa de que seja? te amo ou amo a sensação de estar apaixonado?"

Nessa incansável batalha de "crença versus descrença" que nasce a poesia;

Um poema sem rimas, até porque não há combinações em conceitos antitéticos;

Mas ao mesmo tempo eu ignorar a beleza do rimar seria até antiético;

Escrevo para você porque se você não for real e eu iludido, eu que lute;

Se você for real e eles descrentes, eles que lidem;

Amor, me fala por favor, é delírio o que sinto? 

Você voltou a orbitar a minha vida ou sou eu que acredito no "deus das causas impossíveis"?

Hoje penso se o sentimento por ela sempre esteve aqui, se veio a vir pelas circunstâncias;

Se der certo eu volto a escrever poemas felizes, isso se eu vier a falar para ela que sinto;

Se não der certo, volto com poemas tristes e se ela não souber vai ser como diria Lulu: "caberá só a mim esquecer.."