sábado, 19 de fevereiro de 2022

Carta para o Amor

 Oi, sou eu de novo. 

Sinto te informar, mas acho que me tornei um agnóstico do Amor;

Perdi a fé no romantismo, mas não o suficiente pra dizer que não acredito mais; 

Não me sinto amargurado o suficiente pra dizer que o amor é um construto social;

Antes da pandemia eu conseguia falar "eu te amo" de maneira tranquila sem pensar muito no tema;

Hoje me questiono uma, duas, três vezes: "é amor mesmo ou só carência? é amor ou uma expectativa de que seja? te amo ou amo a sensação de estar apaixonado?"

Nessa incansável batalha de "crença versus descrença" que nasce a poesia;

Um poema sem rimas, até porque não há combinações em conceitos antitéticos;

Mas ao mesmo tempo eu ignorar a beleza do rimar seria até antiético;

Escrevo para você porque se você não for real e eu iludido, eu que lute;

Se você for real e eles descrentes, eles que lidem;

Amor, me fala por favor, é delírio o que sinto? 

Você voltou a orbitar a minha vida ou sou eu que acredito no "deus das causas impossíveis"?

Hoje penso se o sentimento por ela sempre esteve aqui, se veio a vir pelas circunstâncias;

Se der certo eu volto a escrever poemas felizes, isso se eu vier a falar para ela que sinto;

Se não der certo, volto com poemas tristes e se ela não souber vai ser como diria Lulu: "caberá só a mim esquecer.."



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