sábado, 9 de abril de 2022

Sobre trotes e tradições (mais uma vez)

 Desejei no texto que escrevi anteriormente , vulgo 5 anos atrás, que o trote e suas atividades fossem apenas uma lembrança, um evento, um ritual infame e sem muitos louvores, mas acabou que era só uma esperança e/ou um desabafo de alguém que teve uma experiência traumatizante com o fato.

Hoje o trote configura um rito de passagem "good vibes" com o famoso "é só uma tinta" e vejo que muito disso é o sinal dos novos tempos, um indicador de como as novas gerações pouco se importam com o seu passado, sua história, tenta-se criar uma narrativa do novo, do fazer as coisas diferentes da geração anterior.

Fui assim, não vou ser hipócrita no auge dos meus recem completados 30 anos me sentir o senhor da razão e falar "ah mas quando eu era do Centro Acadêmico as coisas eram diferentes" porque não eram. Soberba, não escutar os que vieram antes de você, achar que pode fazer mais é totalmente saudável e é um terreno fértil pro debate, mas não estamos vivendo isso.

Não se questiona o status quo, questiona-se quem questiona o status quo. O trote não é mais uma questão de sim ou não, tornou-se um "como deixá-lo mais humanizado", uma negação da realidade mais do que vil, chega a ser revoltante de tão alienada. Não consigo manter o discurso de que a culpa é de alguém especifico ou da nova geração que é alienada, a situação envolve complexidades maiores.

Vai desde uma tendência quase hippie de achar que a universidade é um ambiente de paz e amor quando sabemos que não é, passando por uma legião de veteranos com uma sindrome de Peter Pan que se recusam a ir embora das tradições da universidade talvez pelo medo de encarar o mundo real e finalizando com uma geração Z que abraça esse ideal "American Pie" como se os mais velhos fossem caretas de quererem falar sério sobre trote.

No final sinto que o liberalismo venceu no final; as pautas e vontades individuais venceram as pautas coletivas. Liberdade de crença, sexualidade, gênero, raça, tudo isso num ideal de liberdade que parece revolucionário mas acaba mascarando um capitalismo que não é paz e amor, ele é insensível e se importa apenas com o lucro, com verde do dinheiro, a única cor que importa.

Os jogos universitários que te fazem ter orgulho da tua alma mater universitária é o mesmo que lucra milhões todos os anos num evento que virou um festival elitista e nada mais que isso. Dessa maneira, única conclusão que eu consigo chegar é que o conhecimento e a "iluminação" das ideias é uma farsa; só se enxerga a opressão e o lado errado das coisas quando se questiona e fecho com a famosa frase do "Planet Hemp", PERGUNTE A PROCEDÊNCIA.

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