sexta-feira, 23 de agosto de 2024
Até você voltar...
quarta-feira, 14 de agosto de 2024
Só Hoje...
terça-feira, 9 de julho de 2024
E lá vamos nós...
sexta-feira, 19 de maio de 2023
Pra Não Dizer Que eu Não Falei do Skate
Oi, peço desculpas pelos meus modos, mas é que não sei como me endereçar a você. Primeiro que nunca fomos amigos, segundo que mesmo que fôssemos você não iria ler essa carta, pois completaram-se 10 anos da tua partida do mundo terreno. Salva a vez que eu te vi tomando um chopp ali na Independência, pleno coração do Gonzaga quando eu tinha meus 12,13 anos, eu não te conheci pessoalmente. Daquele fatídico 2013, sua partida foi o de menos, afinal como todo bom revoltado, eu era contra a imensa maioria que curtia o seu som, afinal "não é porque eu sou santista que eu tenho que gostar de Charlie Brown". Não preciso nem dizer que me arrependo fortemente dessa teimosia.
Todos que me conhecem sabem que o Cauê após 2013 curte seu som que nem parece que um dia teve ranço, mas enfim. Dispersei nos pensamentos, fato comum quando estou me endereçando a pessoas que tenho grande admiração. Venho através dessa carta te agradecer por todo o suporte emocional e psicológico que suas letras me deram ao longo dos anos. Suas palavras de amor de um romântico quase pirado, que se emociona, que chora, que demonstra que sangra, algo que me lembra muito Tim Maia se compararmos a intensidade emocional e musical.
Me apaixonei por mulheres ouvindo seu som, valorizei amizades verdadeiras, me diverti com as músicas irreverentes, me agitei com as batidas mais envolventes, mas sinto que nada nada nada se compara às letras que elevam o espírito. Todos os sons de superação, sejam financeiros ou psicológicos, foram ao longo dos anos moldando a trilha-sonora do meu dia à dia. O que começou com as mais 'batidas' como "Não Deixe o Mar te Engolir" ou "Resolve Meu Problema Aí" evoluiu para os sons mais 'lado B', aquelas faixas que nunca tocaram na rádio, mas que trazem uma carga sentimental de um poeta que vivia a dor e a alegria daquilo que escrevia.
Alexandre, Alê, Chóris, Chorão, não consigo encontrar o jeito correto de me referir a sua pessoa, mas acho que entre muitas coisas posso te chamar de amigo. Seu eu-lírico conversa comigo nas minhas maiores 'bads' e me dão a certeza que você veio a esse mundo pra passar a mensagem, cumpriu teu propósito de ser a voz que acalma os corações em crise. Não vejo tua trajetória como algo mágico, não romantizo tua depressão e teus problemas com as drogas, nem ouço tuas canções de amor achando que vou encontrar a minha Grazi, a 'Dona do meu pensamento'. Seus sons e suas letras são o combustível que aquece p coração desse caiçara quando a tristeza de estar longe da nossa terra bate.
No final, depois de 10 anos seu som ainda toca nas rádios, e 'O Preço' quem paga é a gente por não te ver sorrir mais. Nessa sexta-feira fria eu escrevi essa carta pra você pois te ouço todos os dias e acho justo agradecer pelos bons conselhos. Mesmo que esses últimos tempos eu tenha sentido meu futuro como um labirinto por não saber o que eu quero, não desistirei. Não vou desanimar pois sei que "a vida é louca, o mundo é foda, mas nós tamo aí na luta" e com certeza eu não vou baixar a cabeça pra nenhum filho da puta. Você foi um grande mestre, um dia a gente se vê!!!
quinta-feira, 16 de março de 2023
Tá tudo assim tão diferente
Todos os eventos que me trouxeram ao dia de hoje tiveram sua importância e me moldaram em pequenos gestos, algumas arestas aparadas, algumas imperfeições corrigidas, mas minha real mudança veio sem alarde, só veio. No final os dias continuam os mesmos, o mundo ainda existe como um Pálido Ponto Azul, mas eu não sou mais o mesmo. Continua tudo igual, mas diferente...
sábado, 9 de abril de 2022
Sobre trotes e tradições (mais uma vez)
Desejei no texto que escrevi anteriormente , vulgo 5 anos atrás, que o trote e suas atividades fossem apenas uma lembrança, um evento, um ritual infame e sem muitos louvores, mas acabou que era só uma esperança e/ou um desabafo de alguém que teve uma experiência traumatizante com o fato.
Hoje o trote configura um rito de passagem "good vibes" com o famoso "é só uma tinta" e vejo que muito disso é o sinal dos novos tempos, um indicador de como as novas gerações pouco se importam com o seu passado, sua história, tenta-se criar uma narrativa do novo, do fazer as coisas diferentes da geração anterior.
Fui assim, não vou ser hipócrita no auge dos meus recem completados 30 anos me sentir o senhor da razão e falar "ah mas quando eu era do Centro Acadêmico as coisas eram diferentes" porque não eram. Soberba, não escutar os que vieram antes de você, achar que pode fazer mais é totalmente saudável e é um terreno fértil pro debate, mas não estamos vivendo isso.
Não se questiona o status quo, questiona-se quem questiona o status quo. O trote não é mais uma questão de sim ou não, tornou-se um "como deixá-lo mais humanizado", uma negação da realidade mais do que vil, chega a ser revoltante de tão alienada. Não consigo manter o discurso de que a culpa é de alguém especifico ou da nova geração que é alienada, a situação envolve complexidades maiores.
Vai desde uma tendência quase hippie de achar que a universidade é um ambiente de paz e amor quando sabemos que não é, passando por uma legião de veteranos com uma sindrome de Peter Pan que se recusam a ir embora das tradições da universidade talvez pelo medo de encarar o mundo real e finalizando com uma geração Z que abraça esse ideal "American Pie" como se os mais velhos fossem caretas de quererem falar sério sobre trote.
No final sinto que o liberalismo venceu no final; as pautas e vontades individuais venceram as pautas coletivas. Liberdade de crença, sexualidade, gênero, raça, tudo isso num ideal de liberdade que parece revolucionário mas acaba mascarando um capitalismo que não é paz e amor, ele é insensível e se importa apenas com o lucro, com verde do dinheiro, a única cor que importa.
Os jogos universitários que te fazem ter orgulho da tua alma mater universitária é o mesmo que lucra milhões todos os anos num evento que virou um festival elitista e nada mais que isso. Dessa maneira, única conclusão que eu consigo chegar é que o conhecimento e a "iluminação" das ideias é uma farsa; só se enxerga a opressão e o lado errado das coisas quando se questiona e fecho com a famosa frase do "Planet Hemp", PERGUNTE A PROCEDÊNCIA.
sexta-feira, 11 de março de 2022
O paradoxo do desabafo
Sempre fui sensível, sempre fui empático com o sofrimento alheio e não preciso dizer o destino daqueles que são empáticos.
De maneira educada devo dizer que acabei por me ferrar muito, por priorizar o próximo e não pensar em mim mesmo.
Essa exaustão após tantos anos vem numa contraditória necessidade de ser ouvido, de ser o atendido e não aquele que atende.
E que surpresa quando precisamos ser ouvidos e não somos, ou as pessoas não tem tempo pra você.
Elas não tem obrigação de ter tempo para você e é isso o que mais dói.
Foi VOCÊ que escolheu sacrificar as suas próprias horas, as tuas diversões, as tuas vontades, pela vontade, pelas horas e diversões alheias.
A contradição está neste movimento em si; reclamar sobre algo que você mesmo causou é patético e ninguém tem obrigação, repito, ninguém tem obrigação de ser empático com você.
No final meu texto não vai trazer o consolo que eu esperava, nem a resposta pros meus problemas, mas me acalma.
Cauê, ao mesmo tempo que estou sofrendo saiba que te acolho e as coisas vão melhorar, você sabe.
Continuar se importando com os outros não vai te fazer santo, não vai te trazer riqueza, então faça um favor pra mim: seja mais rude, seja mais grosseiro, imponha limites.
Em três semanas você terá 30 anos, não que mude muita coisa, mas muda. Comece a se inspirar pelo "devir Cauê de 30 anos", mesmo que o "devir Cauê" seja ser milionário antes dos 40, estar casado com o grande amor da sua vida, dirigir o carro dos sonhos, ter uma casa grande cheia de cachorros, um casal de filhos, o setup gamer, o videogame, todas as trivialidades do mundo capitalista.
INSPIRE-SE nele, mas não se deixe iludir. Ele não é real, ele nunca não vai ser. O Cauê REAL sangra, chora, perde dinheiro com besteira, gasta dinheiro com besteira.
Busque equilíbrio, Cauê! Seja feliz sabendo seu limite, mas nunca pare de caminhar, mas acima de tudo, busque terapia.
Seu TDAH não está controlado o suficiente pra você achar que é engraçadinho ou só um meme.
Espero seriamente que em um próximo texto você tenha a decência de ter ao menos pesquisado sobre.
Cauê, eu te amo, é que às vezes eu esqueço, eu sei que eu deveria te amar mais, me desculpa...